Motorista que invadiu contramão e matou coordenadora escolar em Formoso do Araguaia é indiciado por três crimes
Perícia apontou que caminhonete trafegava a até 90 km/h em estrada de terra; motorista deixou o local após a colisão e se apresentou à polícia somente no dia seguinte.
A Polícia Civil do Tocantins concluiu, nesta sexta-feira (6), o inquérito que investigou o acidente de trânsito que matou a coordenadora de apoio escolar Leomarcia Souza Aguiar Mota, de 52 anos, em Formoso do Araguaia, no sul do estado. Um motorista de 31 anos foi indiciado por três crimes de trânsito após a investigação apontar que ele trafegava em velocidade incompatível com as condições da estrada, perdeu o controle da caminhonete e provocou uma colisão frontal.
O acidente aconteceu na noite de 5 de junho de 2026, por volta das 20h, na estrada vicinal Tapajós, que dá acesso à BR-242, na zona rural do município.
Leomarcia estava em uma caminhonete GM Montana, conduzida pelo marido, de 67 anos, quando o veículo foi atingido frontalmente por uma RAM Rampage que seguia no sentido contrário.
Com a força do impacto, a coordenadora ficou presa às ferragens e morreu ainda no local. O marido sofreu ferimentos graves e foi encaminhado a uma unidade hospitalar em Gurupi, onde permaneceu internado por 26 dias, sendo 14 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Perícia aponta velocidade de até 90 km/h
A investigação foi conduzida pela 84ª Delegacia de Polícia de Formoso do Araguaia, sob responsabilidade do delegado Victor Ulhoa.
De acordo com a Polícia Civil, a perícia identificou que a RAM Rampage trafegava a uma velocidade estimada entre 85 e 90 km/h momentos antes da colisão.
Os investigadores concluíram que a velocidade era incompatível com as condições da estrada, que não possui pavimentação nem iluminação e apresentava poeira, fatores que comprometiam a visibilidade e exigiam maior cautela dos motoristas.
Segundo o laudo pericial, ao passar por uma irregularidade na pista, o condutor perdeu o controle da caminhonete, que ficou instável, invadiu a contramão e atingiu frontalmente a GM Montana.
A perícia concluiu que a velocidade desenvolvida pela Rampage foi determinante para a ocorrência do acidente.
Motorista deixou o local após o acidente
Outro ponto identificado durante a investigação foi a conduta do motorista da RAM Rampage após a colisão.
Conforme a Polícia Civil, o homem deixou o local antes da chegada das equipes da Polícia Militar e do socorro médico, apresentando-se às autoridades somente no dia seguinte.
A saída do motorista impediu a realização imediata do teste de alcoolemia, que poderia ajudar a identificar eventual consumo de bebida alcoólica.
Apesar disso, a investigação não reuniu provas suficientes para concluir que o motorista dirigia sob efeito de álcool. Por esse motivo, a suspeita de embriaguez não foi incluída no indiciamento.
A Polícia Civil considerou, entretanto, que havia elementos para indiciá-lo também pelo crime de afastar-se do local do acidente para fugir à responsabilidade penal ou civil, previsto no artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Motorista é indiciado por três crimes de trânsito
Com a conclusão do inquérito, o motorista de 31 anos, identificado pelas iniciais M.J.A.S., foi indiciado por três crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro:
- Homicídio culposo na direção de veículo automotor (artigo 302): relacionado à morte da coordenadora escolar.
- Lesão corporal culposa na direção de veículo automotor (artigo 303): relacionada aos ferimentos sofridos pelo marido da vítima.
- Fuga do local do acidente (artigo 305): por deixar o local da colisão com a finalidade de fugir à responsabilidade penal ou civil, conforme apontado pela investigação.
O homicídio culposo ocorre quando não existe intenção de matar, mas a morte resulta de uma conduta caracterizada por imprudência, negligência ou imperícia.
No caso investigado, a Polícia Civil apontou que a velocidade incompatível com as condições da estrada foi o fator determinante para a colisão que matou Leomarcia e deixou o marido gravemente ferido.
Inquérito é encaminhado à Justiça
Após a conclusão das investigações, o inquérito foi encaminhado à Vara Regional das Garantias de Gurupi, com remessa ao Ministério Público do Tocantins (MPTO).
Caberá ao Ministério Público analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir se oferece denúncia contra o motorista à Justiça.
O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não significa condenação. A eventual responsabilização criminal dependerá do andamento do processo judicial.
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