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Rick, da dupla com Renner, morre em queda de helicóptero em SC; relembre trajetória do cantor tocantinense

Natural de Monte do Carmo, no Tocantins, artista tinha 59 anos e construiu uma carreira na música sertaneja com os sucessos 'Ela é demais' e 'Nos bares da cidade'.

Daniel 23/09/2026 10:07 6 min de leitura

O cantor Rick, da dupla com Renner, morreu na queda de um helicóptero em Santa Catarina. A informação foi confirmada pelo Corpo de Bombeiros nesta terça-feira (22). Cinco corpos foram localizados e não há sobreviventes.

Além de Rick, estavam no helicóptero o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.

Nascido em Monte do Carmo, região central do Tocantins — na época, território goiano —, o cantor e compositor Rick tinha 59 anos e completaria 60 anos em dezembro.

A aeronave desapareceu na tarde de segunda-feira (21). O grupo havia decolado de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, com destino a São Joaquim, na Serra Catarinense, mas não chegou ao local previsto. A região tinha previsão de fortes tempestades, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O helicóptero, um Bell 430 de prefixo PP-MGR, pertencia à JTA Empreendimentos e Urbanismo e havia sido emprestado ao cantor e ao empresário.

A trajetória do cantor Rick

Muito antes de multidões cantarem versos de clássicos como “Ela É Demais”, “Muleca” e “Filha”, o homem que o Brasil se acostumou a chamar de Rick era conhecido como Geraldo Antônio de Carvalho.

Nascido em 5 de dezembro de 1966, em Monte do Carmo, região central do Tocantins — na época, território goiano —, o cantor e compositor carregava em sua essência a simplicidade da vida no campo e as tradições populares.

Casado com Geralda Carvalho e pai de Mônica e Victor Henrique, Rick sempre buscou manter suas raízes vivas, mesmo após se consolidar como uma das referências da música sertaneja nacional.

A infância de Geraldo esteve distante de qualquer glamour. Criado em meio à natureza até os 10 anos de idade, o cantor guardava lembranças de um tempo em que as parteiras faziam os partos e a cultura regional ditava o ritmo dos dias.

“Na verdade, eu falo que nasci em Monte do Carmo porque era o município, né? Mas, se meu pai ver essa entrevista aqui ele vai falar: ‘eu falei pra você não falar isso, por que quem nasce no mato é arroz e feijão’. Mas eu nasci na roça, no meio do mato mesmo. Naquela coisa de parteira… e eu fiquei no mato até os 10 anos de idade, que foi quando eu tive a oportunidade de ir pra cidade. Passei por ali, fui pra Porto Nacional e aí mudei pra Brasília. Mas eu vivi um período da minha vida literalmente na roça”, relembrou Rick em entrevista ao Fantástico, em 2017.

Nesse ambiente, o folclore tocantinense e o rádio da mãe foram alguns dos primeiros contatos de Rick com a música.

“Toda a minha trajetória que se iniciava ali musicalmente falando tinha tudo a ver com o que eu vivia, que era meu habitat natural. Era a questão do folclore do Tocantins. Era o que chegava até mim através do meu pai e o rádio da minha mãe, que trazia músicas sertanejas de fora de Goiás. Minha musicalidade até com meu pai mesmo vem muito da cultura da região do Tocantins. Aquela coisa caipira mesmo”, contou também em entrevista ao Fantástico.

‘Sereno e Serenata’

A primeira experiência musical de Rick aconteceu ainda na infância, ao lado da irmã. Aos 10 anos, os dois formaram a dupla “Sereno e Serenata”.

“Nós tínhamos uma dupla chamada Sereno e Serenata. E era uma coisa engraçada, que as pessoas não acreditam, mas é verdade: nessa época, apesar de eu ser o homem da dupla, eu fazia a primeira [voz] pra minha irmã. Ela fazia a segunda pra mim. Comecei a cantar com ela e aquela coisa toda.”

Com a mudança da família para Brasília, o que inicialmente era uma experiência familiar começou a ganhar contornos profissionais na noite da capital federal. A parceria com a irmã, porém, durou pouco tempo.

“Quando a gente sai do Tocantins pra ir morar em Brasília, foi aí que a gente assumiu uma coisa mais profissional e a gente começou a trabalhar na noite. Mas a partir daí eu já tava com uns 12 ou 13 anos, com a voz mais grossa, já tava fazendo a segunda pra minha irmã. A gente foi fazendo esse trabalho na noite até meu pai dar uma ‘tesourada’, por não aceitar minha irmã frequentar os mesmos ambientes que eu frequentava.”

O encontro com Renner

Dupla Rick e Renner — Foto: Divulgação
Dupla Rick e Renner — Foto: Divulgação

A trajetória de Rick ganhou um novo capítulo em 1986. Enquanto telefonava para uma casa noturna de Brasília com o objetivo de pedir equipamentos emprestados, ele ouviu uma voz cantando. Era Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner.

Encantado com o timbre do cantor, Rick buscou conhecê-lo e, naquele mesmo ano, nasceu a dupla Rick & Renner.

Os primeiros anos foram marcados por desafios e apresentações em bares de pequeno porte no Distrito Federal. A virada veio no início dos anos 1990, quando a dupla Zezé Di Camargo & Luciano conheceu o trabalho dos dois e decidiu apadrinhá-los.

Nas décadas seguintes, Rick ganhou projeção nacional como intérprete de sucessos como “Nos Bares da Cidade”, “Cara de Pau” e “Ela É Demais”. Além disso, tornou-se um dos compositores de destaque da música sertaneja, com canções gravadas por artistas como Chitãozinho & Xororó, Daniel, Gian & Giovani e Gino & Geno.

Ao longo de mais de 25 anos, a trajetória de Rick & Renner também enfrentou períodos de desgaste e pausas. Em 2010, os cantores anunciaram a primeira separação, retomando o projeto em 2012.

Três anos depois, em janeiro de 2015, após episódios delicados envolvendo Renner, Rick decidiu interromper novamente a parceria. Na ocasião, o cantor fez um desabafo público sobre o momento vivido pela dupla.

“Tenho 48 anos de idade e não tenho mais tempo para construir castelos de areia. Vou ajudar o Renner em tudo que eu puder, que tiver ao meu alcance. Mas tenho filhos, tenho netos e uma vida passando depressa. Deus sabe o quanto lutei por Rick e Renner. Mas hoje afirmo com toda certeza que só vou até aqui”, declarou Rick.

Durante a pausa, Rick formou o projeto “Dois Corações” com o cantor Giovani, que também enfrentava um período de separação da dupla com Gian.

Em agosto de 2018, impulsionados pela ligação artística e pelos pedidos do público, Rick e Renner retomaram a parceria. Na época da reconciliação, ao publicar uma foto ao lado do antigo parceiro, Rick resumiu o reencontro em poucas palavras: “Em nome da música”.

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