TRE-TO manda suspender novas divulgações da pesquisa Quaest que apontou Dorinha com 42% e Vicentinho Júnior com 29%
Decisão do TRE-TO cita ausência de informações necessárias à fiscalização do levantamento; Quaest e TV Anhanguera podem ser multadas em R$ 20 mil por dia em caso de descumprimento.
A Justiça Eleitoral determinou nesta sexta-feira (25) a suspensão imediata de novas divulgações da pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo do Tocantins. A decisão liminar foi proferida pela desembargadora Silvana Maria Parfieniuk, juíza auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), após representação apresentada pela coligação Pra Cima Tocantins.
O levantamento, registrado sob o número TO-00371/2026, foi realizado pela Quaest e contratado pelo Centro Norte de Comunicação, responsável pela TV Anhanguera, pelo valor de R$ 117.384. A pesquisa ouviu 804 eleitores entre os dias 19 e 22 de setembro e teve os resultados divulgados na terça-feira (23).
Justiça aponta falhas
Ao analisar o pedido, a magistrada identificou duas desconformidades no levantamento. Segundo a decisão, a Quaest não apresentou a composição sociodemográfica real das pessoas efetivamente entrevistadas, limitando-se a apresentar a estrutura do plano amostral ponderado.
A Justiça também apontou que não foram informados os bairros correspondentes a 26 dos 134 setores censitários apresentados.
Na avaliação da magistrada, a ausência dessas informações prejudica a fiscalização da pesquisa, impedindo que candidatos, coligações e o Ministério Público possam auditar adequadamente o levantamento e verificar sua conformidade com as exigências da legislação eleitoral.
Decisão cita impacto sobre eleitorado
A decisão também destaca a influência que pesquisas eleitorais podem exercer na reta final da campanha. Na fundamentação, a magistrada afirma que levantamentos divulgados às vésperas da eleição possuem potencial indutor e persuasivo sobre o eleitorado, podendo influenciar a formação do chamado “voto útil” e a própria dinâmica das campanhas.
A fiscalização rigorosa, segundo a decisão, busca evitar que dados estatísticos considerados “opacos, viciados ou matematicamente inconsistentes” possam desequilibrar a disputa ou induzir eleitores a erro.
Multa pode chegar a R$ 200 mil
Com a liminar, Quaest e TV Anhanguera estão impedidas de realizar novas divulgações, publicações, reproduções ou veiculações dos resultados da pesquisa, seja pela televisão, rádio, jornais, portais de notícias ou redes sociais, até o julgamento final da representação.
Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 20 mil para cada uma das representadas, limitada a R$ 200 mil.
A Quaest e a TV Anhanguera ainda poderão apresentar defesa. A decisão é liminar e, portanto, não representa julgamento definitivo sobre a validade da pesquisa.
