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Homem é condenado a 29 anos de prisão por feminicídio e ocultação de cadáver em Formoso do Araguaia

Alex Conrado recebeu 28 anos pelo feminicídio e mais um ano por ocultação de cadáver; Justiça também determinou pagamento de R$ 40 mil à família da vítima.

Daniel 29/09/2026 18:46 4 min de leitura

Alex Conrado Pereira Jorge, de 42 anos, foi condenado a 29 anos de prisão pelo feminicídio de Zely Santos Ferreira, de 44 anos, e pela ocultação do cadáver. O julgamento terminou nesta terça-feira (29), no Tribunal do Júri da Comarca de Formoso do Araguaia, no sul do Tocantins.

A sessão, presidida pela juíza Cibele Maria Bellezia, marcou a realização do primeiro Tribunal do Júri no novo Fórum da Comarca de Formoso do Araguaia.

Segundo consta no processo, Zely foi morta por asfixia em 27 de junho de 2025, após investidas sexuais frustradas. Depois do crime, Alex teria lançado o corpo da vítima no Rio Formoso.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade do réu pelo feminicídio e considerou as qualificadoras de asfixia e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. Os jurados também o consideraram culpado pelo crime de ocultação de cadáver.

Pena chega a 29 anos

Na definição da pena, a magistrada estabeleceu 28 anos de prisão pelo feminicídio e mais um ano pela ocultação de cadáver, totalizando 29 anos.

As penas foram somadas em razão do chamado concurso material, aplicado quando uma pessoa pratica dois ou mais crimes por meio de ações distintas.

A juíza também determinou o início imediato do cumprimento da pena em regime fechado e fixou em R$ 40 mil o valor a ser pago à família de Zely como reparação por danos morais. A sentença ainda pode ser contestada por meio de recurso.

Relembre o caso

O caso começou a ser investigado após o corpo de Zely Santos Ferreira ser encontrado no Rio Formoso, em 27 de junho de 2025.

Na ocasião, um homem que havia ido verificar uma bomba do sistema de captação de água percebeu o corpo boiando no rio. A área foi isolada para os trabalhos da Perícia Criminal e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

As primeiras informações já levantavam dúvidas sobre a possibilidade de afogamento. Posteriormente, a investigação apontou sinais de asfixia.

A apuração ficou sob responsabilidade da 84ª Delegacia de Polícia de Formoso do Araguaia, comandada pela delegada Tuanny Falcão.

Durante as investigações, a Polícia Civil apurou que Zely havia sido vista horas antes em um bar de Formoso do Araguaia acompanhada de um casal. O trabalho investigativo buscou reconstruir os últimos momentos da vítima e identificar as pessoas que estiveram com ela antes da morte.

Alex passou a ser apontado como principal suspeito. Conforme informações divulgadas pela Polícia Civil durante a investigação, ele apresentou versões divergentes ao prestar depoimento.

Diante dos elementos reunidos, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do investigado e por mandado de busca e apreensão.

Prisão ocorreu meses depois

Alex foi preso em 14 de outubro de 2025, cerca de quatro meses depois da morte de Zely.

Segundo a Polícia Civil, após ser levado à delegacia, ele confessou o crime durante interrogatório. Depois dos procedimentos legais, foi encaminhado à Unidade Penal Regional de Gurupi.

O inquérito e os demais elementos reunidos ao longo da investigação subsidiaram o processo que levou Alex ao Tribunal do Júri.

Nesta terça-feira, mais de um ano após o crime, familiares de Zely acompanharam o julgamento e realizaram uma manifestação em frente ao Fórum de Formoso do Araguaia. Alguns usavam camisetas estampadas com a fotografia da vítima e pedidos por justiça.

Ao final da sessão, o Conselho de Sentença decidiu pela condenação por feminicídio e ocultação de cadáver, resultando na pena total de 29 anos de prisão.

A decisão representa uma das principais etapas judiciais de um caso que provocou repercussão em Formoso do Araguaia desde junho de 2025. Apesar da condenação pelo Tribunal do Júri, a defesa ainda poderá recorrer da sentença.

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