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“Terror místico”: vítimas relatam agressões, ameaças e abusos atribuídos a líder religioso indiciado por 19 crimes no Tocantins

Polícia Civil aponta violência psicológica, agressões, importunação sexual e indução ao consumo de drogas; defesa afirma que irá contestar todas as acusações na Justiça.

Daniel 25/09/2026 11:13 4 min de leitura

Vítimas de um líder religioso investigado em Palmas relataram episódios de agressões físicas, ameaças, violência psicológica e abusos que teriam ocorrido dentro de uma instituição religiosa. Fábio, de 38 anos, foi indiciado pela Polícia Civil por 19 crimes, após a conclusão de sete inquéritos conduzidos pela 3ª Delegacia de Polícia de Palmas.

Entre os crimes apontados pela investigação estão violência psicológica contra a mulher, ameaça, injúria, perseguição, importunação sexual, violação de domicílio, lesão corporal e indução ao consumo de drogas. Dos 19 indiciamentos, seis são por violência psicológica contra a mulher e três por ameaça.

Em entrevistas, vítimas que preferiram não ser identificadas descreveram um ambiente de medo entre frequentadores da instituição.

Um homem relatou ter sido agredido pelo líder religioso após os frequentadores serem reunidos em uma roda.

“Ele já havia agredido um grande amigo, onde ele havia jogado bebida no rosto de um grande amigo. Ele retornou ao espaço, botou todo mundo em roda e nesse momento, ele me proferiu um soco no peito.”

Outra mulher afirmou que os frequentadores tinham receio de serem humilhados durante os encontros e também temiam deixar o grupo.

“As pessoas tinham medo de ser a pessoa rechaçada do dia em cada gira que passava. Os frequentantes sempre iam assim, com medo.”

Segundo a investigação, informações pessoais e segredos compartilhados durante aconselhamentos também teriam sido utilizados posteriormente para constranger ou expor frequentadores. A Polícia Civil apurou ainda relatos de ameaças envolvendo supostos males espirituais, doenças e até morte contra pessoas que demonstravam intenção de deixar a instituição.

Suspeita de importunação sexual

Um dos inquéritos apurou a denúncia de uma mulher que afirmou ter sofrido toques de natureza sexual sem consentimento durante um ritual.

Conforme a investigação, o líder religioso teria alegado que estava “incorporando uma entidade espiritual”. Depois do episódio, a mulher também teria sido alvo de assédio e relatou que o investigado invadiu sua residência durante a noite.

Outra vítima contou que teria sido agredida após cochilar durante uma atividade realizada de madrugada.

“Quando caiu a ficha para mim [...] foi, definitivamente, quando eu levei um tapa na cara enquanto estava cochilando.”

A Polícia Civil também reuniu relatos de humilhações públicas, violência verbal e psicológica, perseguição e agressões físicas. Há ainda denúncias relacionadas a manifestações discriminatórias envolvendo raça, orientação sexual e identidade de gênero.

Polícia aponta “terror místico”

Segundo as informações da investigação, o dirigente religioso teria utilizado sua posição e influência espiritual para estabelecer um ambiente de controle e submissão entre os frequentadores.

A investigação também identificou elementos relacionados ao fornecimento e à indução ao consumo de maconha e cocaína. Conforme os relatos reunidos pela polícia, as substâncias teriam sido apresentadas aos frequentadores sob a justificativa de favorecer uma suposta “conexão espiritual”.

O delegado Túlio Mota afirmou que a investigação identificou um conjunto de crimes praticados contra pessoas que acreditavam participar de atividades religiosas, mas que, segundo a apuração policial, teriam sido submetidas a diferentes formas de abuso.

Os sete inquéritos foram concluídos com base em depoimentos de vítimas e testemunhas, gravações de áudio, laudos técnicos e outros elementos reunidos pela Polícia Civil.

Defesa contesta acusações

A defesa de Fábio informou que irá se manifestar apenas no processo, que tramita em sigilo, e que pretende contestar todas as acusações na Justiça.

A Associação das Casas de Culto de Matriz Afro-Brasileira do Tocantins informou que Fábio foi suspenso das atividades religiosas após as primeiras denúncias. A instituição lamentou a situação enfrentada pelas vítimas e afirmou que “os atos de um não representam os atos de todos”.

Fábio responde ao caso em liberdade. Os inquéritos concluídos pela Polícia Civil foram encaminhados para as providências cabíveis no âmbito da Justiça. O indiciamento policial não representa condenação, e a eventual responsabilidade criminal será definida no decorrer do processo.

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