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Atleta tocantinense que venceu câncer e passou por transplante de medula vai disputar Pan-Americano no Uruguai

Moradora de Paraíso do Tocantins, Lara Miranda, de 31 anos, vai representar o Brasil na competição internacional para atletas transplantados.

Daniel 03/10/2026 11:11 4 min de leitura
Atleta tocantinense que venceu câncer e passou por transplante de medula vai disputar Pan-Americano no Uruguai

A influenciadora e atleta de corrida Lara Miranda Brito Sousa, de 31 anos, moradora de Paraíso do Tocantins, se prepara para representar o Brasil na 1ª edição dos Jogos Pan-Americanos para Atletas Transplantados. A competição será realizada entre os dias 21 e 25 de outubro de 2026, em Maldonado, no Uruguai.

Mais do que buscar resultados nas pistas, Lara encara a participação como uma celebração da vida. Diagnosticada com leucemia mieloide aguda em 2021, ela enfrentou tratamento contra o câncer, uma recidiva da doença e posteriormente passou por um transplante de medula óssea.


“Além da competição, é um momento de celebração da vida, de incentivo à doação de órgãos e de mostrar que é possível recomeçar. Hoje estou vivendo coisas extraordinárias que nunca imaginei”, afirmou.


Antes da doença, Lara já mantinha uma rotina ligada ao esporte e levava uma vida ativa. O diagnóstico chegou em setembro de 2021, após um período em que enfrentava anemia persistente, fraqueza e perda de rendimento durante os treinos.


“Nunca imaginei que uma pessoa tão saudável pudesse passar por isso. Foi um baque porque era um mundo completamente desconhecido para mim”, contou.


Segundo Lara, inicialmente ela chegou a utilizar ferro na tentativa de combater a anemia, mas os sintomas continuaram.


“Eu comecei a tomar ferro para tentar melhorar, mas não melhorava. Só fui perdendo o rendimento nos treinos e sentindo muita fraqueza”, relembrou.


Após receber o diagnóstico, a tocantinense seguiu para Barretos, no interior de São Paulo, onde iniciou o tratamento oncológico. Ela passou por sessões de quimioterapia e conseguiu entrar em remissão.

Em 2023, porém, quando treinava para disputar sua primeira meia maratona no Rio de Janeiro, Lara recebeu a notícia de que a leucemia havia retornado de forma mais agressiva. Desta vez, seria necessário realizar um transplante de medula óssea.


“Quando fiquei sabendo que precisava do transplante, achei que nunca mais teria uma rotina ativa porque eu não conhecia a vida de uma pessoa transplantada. Eu achava que nunca mais teria uma vida ativa porque sentia muita fraqueza”, contou.


Esporte virou motivação durante tratamento

Foi durante essa fase que Lara conheceu os World Transplant Games, competição internacional destinada a atletas transplantados e realizada a cada dois anos. A descoberta se transformou em uma meta para enfrentar o tratamento e recuperar a vida esportiva.


“Aquilo se tornou uma meta. Passar pelo transplante, voltar a ser ativa e, um dia, participar dessas competições”, relembrou.


A atleta afirma que a experiência adquirida com os treinamentos, que fazem parte de sua rotina desde 2018, também contribuiu para enfrentar o tratamento e a recuperação.


“A disciplina da corrida me ajudou muito durante o tratamento e na recuperação. Me ajudou a ter uma mente mais forte para passar pelo processo sem desanimar. Eu acredito que o esporte é uma escola de combate. Ele ajuda a gente a vencer os desafios fora dele.”


Depois do transplante, Lara precisou aguardar um ano antes de retornar às corridas. A volta aconteceu em julho de 2024, inicialmente sem a preocupação com competições ou resultados.


“Voltei a correr para celebrar minha vida e tudo o que passei”, disse.


Medalhas em competição mundial

O objetivo traçado durante o tratamento se tornou realidade em 2025, quando Lara participou dos World Transplant Games, na Alemanha.

A tocantinense competiu nas provas de 5 quilômetros, 1.500 metros, 800 metros, 400 metros e 100 metros. Na competição internacional, conquistou o segundo lugar em três modalidades.


“Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Além da competição, existe uma troca de experiências com pessoas do mundo inteiro que passaram por processos semelhantes”, afirmou.


Agora, Lara se prepara para um novo desafio internacional. Nos Jogos Pan-Americanos para Atletas Transplantados, no Uruguai, a expectativa é disputar novamente as cinco provas e buscar novas medalhas representando o Brasil.


“Acho que vai ser uma experiência bem legal. É um campeonato que tem muito propósito”, comentou.


Para Lara, chegar a mais uma competição internacional representa também a concretização de uma meta que parecia distante quando enfrentava os momentos mais difíceis do tratamento. A trajetória que começou com o objetivo de recuperar a qualidade de vida agora ganha mais um capítulo nas pistas, desta vez em uma competição continental.

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