Ex-secretário do governo do Tocantins aparece em mensagens de lobista ligada a Lulinha que cobra Pix de R$ 100 mil
Quesede Ayres Henrique ocupou cargos nas gestões Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa; mensagens foram atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal
O ex-secretário do Governo do Tocantins Quesede Ayres Henrique aparece em mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger nas quais ela cobra a realização de um Pix de R$ 100 mil. Os diálogos foram revelados pelo portal Metrópoles e fazem parte de material relacionado a investigações envolvendo a lobista.
Quesede ocupou diferentes cargos públicos antes de atuar na Prefeitura de Goiânia. No Tocantins, durante o governo Mauro Carlesse, foi secretário de Habitação e posteriormente secretário-executivo da Secretaria de Estado da Saúde. Já na gestão Wanderlei Barbosa, comandou a Secretaria Extraordinária de Ações Governamentais e Parcerias Público-Privadas.
Cobrança de R$ 100 mil
A conversa divulgada teria ocorrido em 8 de novembro de 2024, período em que Quesede estava à frente da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.
Segundo a reportagem, Roberta enviou uma mensagem cobrando que o então secretário providenciasse a transferência.
“Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra. Que o homem tá me cobrando, criatura”, diz a mensagem atribuída à lobista.
Quesede teria respondido: “Já tá indo”.
Mais tarde, Roberta voltou a cobrar o pagamento e afirmou que o homem estava prestes a embarcar.
De acordo com a apuração publicada pelo Metrópoles, naquela mesma noite Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Lisboa, em Portugal.
A reportagem afirma que Quesede realizou um pagamento de R$ 100 mil para a RL Consultoria, empresa ligada a Roberta Luchsinger. O dinheiro teria partido da conta de uma empresa comercial de Goiânia.
Apesar da proximidade dos horários destacada pela reportagem, as mensagens reproduzidas não identificam Lulinha como destinatário dos R$ 100 mil. No diálogo divulgado, Roberta refere-se apenas a “o homem”. Portanto, não é possível concluir, a partir dessa conversa isoladamente, que o dinheiro tenha sido destinado ao filho do presidente.
Relação com liberação de recursos
Ainda segundo a apuração, a relação entre Quesede e Roberta envolvia articulações para tentar conseguir a liberação de recursos federais destinados à Prefeitura de Goiânia.
A reportagem afirma que a lobista auxiliava o então secretário nesse trabalho e recebia comissões que teriam sido pagas por intermédio de contas de terceiros.
Outras mensagens atribuídas a Roberta também fazem referências a uma pessoa chamada “Fábio”. A apuração jornalística relaciona essas menções a Fábio Luís Lula da Silva, interpretação contestada pela defesa do filho do presidente.
Quesede já foi alvo de investigação em Goiás
O nome de Quesede Ayres Henrique já havia aparecido em investigações relacionadas à Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia.
Em novembro de 2024, ele foi alvo de uma operação do Ministério Público de Goiás que investigava suspeitas de irregularidades envolvendo contratos da Saúde municipal.
No mês seguinte, Quesede se apresentou à polícia no contexto de outra investigação relacionada a suspeitas de desvios de recursos da pasta. Os procedimentos tratam de fatos distintos das mensagens agora divulgadas.
Defesa de Lulinha contesta interpretação
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contesta as conclusões apresentadas a partir das mensagens.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que não reconhece a autenticidade do material divulgado e levantou questionamentos sobre a cadeia de custódia das mensagens. A defesa também sustenta que os diálogos não permitem concluir que o “Fábio” mencionado nas conversas seja Lulinha.
Segundo a defesa, o filho do presidente não recebeu dinheiro de Roberta Luchsinger e não participou de irregularidades.
As mensagens divulgadas fazem parte de um conjunto de informações relacionado a investigações que envolvem Roberta Luchsinger. A lobista aparece em apurações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo órgãos federais.
Até o momento, a divulgação das conversas não comprova que os R$ 100 mil transferidos à empresa de Roberta tenham sido repassados a Lulinha.
